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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Regresso a Casa

Diz-se, frequentemente, que o melhor de uma viagem, ou de uma qualquer ausência mais ou menos prolongada, é a sensação de se ser invadido pela reconfortante ideia de regresso ao lar. E o nosso lar não é senão aquele sítio, ou sonho, onde sentimos pertencer, para lá de toda e qualquer mudança a que sempre está sujeito um ser humano.

Diz-se, igualmente, que é muito comum o sentimento de tristeza que nalguns se impõe após o período de férias. O cansaço barra, antes ainda de se fazer notar realmente, a fluidez da energia e do pensamento, o surgir daquela branda claridade que incute, em todo o homem, o desejo forte de viver.

Ora, pode dizer-se também que nada há de melhor que reencontrar os amigos, que ler um bom livro, que assistir ao percurso das pequenas maravilhas reservadas a nós pela simplicidade de se ser. Pois então: sejamos. E reencontremos os amigos e leiamos um livro e...
Natália Reis

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Acerca da Unicepe - O Lugar

Sabe-se que o silêncio é uma das mais pungentes armas de comunicação. Que do mais acérrimo secretismo, surgem, por vezes, palavras imbuídas do inefável. Sabe-se que as mais intensas sensações são indizíveis. Mas não será, contudo, de excluir a tentativa de expressar-me acerca de algumas, na presença das quais se tem vergado o meu espírito.

Tenho, ao longo dos meus dias, coleccionado frases que me inchem do que de arrebatador delas transpira, folheado livros que espero que se ergam, muito além do que possam alcançar as minhas mãos. Tenho trocado palavras com pessoas a quem posso, por momentos, decifrar o íntimo, atravessando-lhes a crosta, ouvindo o que releva de tudo o que acompanha o que me é dito. E o que o não é.

Em palavras simples, digo, então, porque me é tão necessário integrar esta família: gosto de subir a escadaria, de ouvir os passos na pedra. De entrar com uma saudação de ambas as partes. De ver o que de novo surge num lugar que não era o seu, na visita precedente. Dos sorrisos que se trocam. Do contacto entre as vozes. Do silêncio que transcende o burburinho. E do cheiro, da presença, daquela luminosidade oculta que ganham os sítios que tomamos para nós como uma casa.

Conhecem a sensação?

Natália Reis